quinta-feira, 18 de julho de 2013

#FATO!

Queres inventar neologismos?
Escreve direito...

As palavras derivadas com o sufixo -aço podem apresentar muitos significados, como o de aumentativo, de golpe, de intensidade, ação, melhorativo e pejorativo.
A linguagem do futebol, por exemplo, usa muito esse sufixo:

Ex.: goleiraço, golaço...

Ele também aparece em palavras de uso cotidiano que, por conta da naturalidade do uso, não percebemos a presença do sufixo. Exemplos?

inchaço, estilhaço, espinhaço...

Ocorre que, no FACEBOOK, as pessoas empregam-no com o objetivo de aumentar o valor semântico do substantivo FATO. Só que muitas pessoas escrevem com SS... Não sei se os dicionários registram, mas se há uma possibilidade na língua, de agregar afixos às palavras primitivas, escreve-se com Ç.

Neste caso: FATAÇO 

E nunca (jamais): FATASSO 

E segue a vida, com teus neologismos... 

terça-feira, 12 de março de 2013

Ordem Inversa: ah, maldita!

Oração: é um enunciado (aquilo que a gente fala) organizado em torno de um verbo (uma frase com verbo, para simplificar).

Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado (apesar de existir oração sem sujeito).

Quando na oração tiver sujeito, o verbo tem sempre que concordar com ele (chama-se concordância verbal).

O sujeito (termo da oração do qual a gente fala alguma coisa) pode vir no começo, no meio ou no fim da oração. Exemplos:

Eles chegaram cedo naquela manhã. (Ordem direta)

Naquela manhã, eles chegaram cedo. (Mesmo com o sujeito no meio, é chamada de ordem direta porque o sujeito vem antes do verbo.)

Chegaram cedo naquela manhã eles. (Ordem inversa)

O nó

Geralmente, as pessoas pecam na concordância quando falam (ou escrevem) na ordem inversa. Isso acontece porque as pessoas perdem o coitado do sujeito plural no caminho... Isso mesmo: "plural"!

Exemplo: Existe muitas coisas entre o céu e a terra. 

(Observe que o verbo deveria estar no plural, pois o sujeito desta oração é o termo "muitas coisas".)

A Gramática é tão boazinha que quando o sujeito composto vem posposto ao verbo, em vez de concordar no plural com a totalidade, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do sujeito mais próximo. Lembrando que isso é uma opção, e não uma obrigação.

Exemplo: Faltou coragem e competência ao time, para vencer a partida. (Não esqueça: Faltaram coragem e competência ao time, para vencer a partida. Também está correta)

O porquê do post (Lembram dos porquês?)

Postagem do ótimo Blog do Torcedor (pode ser visto aqui: http://jc3.uol.com.br/blogs/blogdotorcedor/canais/noticias/2013/03/11/hugo_e_punido_com_quatro_jogos_de_suspensao_no_pernambucano_147525.php).

Quando o assunto é futebol, ninguém ganha do site: eles marcam em cima. Tudo do futebol pernambucano está presente lá.

Mas, de uns dias pra cá, o pessoal comandado por Marcelo Cavalcante tem escorregado um pouco nas malícias da língua. E uma delas é a ordem inversa da oração.

Desatando o nó

Vou diretamente aos trechos em questão: "O jogador se envolveu em uma polêmica no jogo contra o Serra Talhada que, até então, tinha rendido apenas críticas negativas da torcida rubro-negra ao atleta."
Quem é o sujeito deste verbo? Críticas negativas!
No singular ou plural? Plural!
E o verbo? Singular...

Outra: "No entanto o jogador deverá continuar no Recife por mais três jogos seguidos, visto que ele ficou de fora do último duelo contra o Ypiranga e, portanto, resta mais três jogos de suspensão."


Quem é o sujeito deste verbo? Três jogos!
No singular ou plural? Plural!
E o verbo? Singular...


Nos dois casos, era só colocar "tinham" e "restam"... Devem estar dizendo: "Ah, 'm' desgraçado..."
Eu vou mais longe: digo: "Ah, ordem inversa maldita..."

Sabem por quê? Vivemos num tempo da Lei de Murphy... No segundo parágrafo do mesmo post do Blog do Torcedor em questão, ainda vêm com essa: "Passada o mau momento"

Ah, Ordem Inversa maldita!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Saber o porquê de tudo, não significa saber tudo, porque nós não sabemos por que nascemos... Às vezes fico me perguntando: afinal, nascemos por quê?

Emprego de por que, por quê, porque, porquê

•
 Por que 

- Preposição por + pronome interrogativo. Emprega-se em frases interrogativas diretas ou indiretas. Equivale a
 por qual motivo. 

Por que chegou tarde? 
Explique-me
 por que chegou tarde. 

- Preposição por + pronome relativo. Equivale
 a pelo qual.

Contou-me o motivo
 por que não veio.

•
 Por quê 

- Preposição por + pronome interrogativo. É o mesmo "por que" anterior, só que é usado em final de frase ou antes de pausa significativa. (Observe que o "por que", assim, sem acento, vem no início ou no meio das frases)

Você chegou tarde
 por quê?
Não sei; não sei
 por quê... talvez por distração...

•
 Porque 

Conjunção causal, explicativa ou final. Equivale a
 visto que, pois, para que.

Cheguei tarde
 porque meu carro quebrou.

•
 Porquê 

- Substantivo. Equivale às palavras
 razão ou motivo. 

Não sei o
 porquê de tanta briga.
Ela tem os seus
 porquês. 

Ahhhhhhhh... Mas a internet simplifica tudo... Todo esse amontoado de regras virou o pequeno e simples "PQ"!

P.S.: a pedido de Thays Galdino, ex-aluna do 9º ano!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O BEBÊ? A BEBÊ?

Frequentemente ouvimos frases do tipo "Sexta vou visitar tua bebê"; "-Teu bebê tá lindo" "-Não é um bebê; é uma bebê".

Particularmente, nunca gostei da forma feminina desta palavra. Prezo sempre pela EUFONIA (som agradável). Mas, hoje, vendo uns comentários no Facebook, resolvi mergulhar nos dicionários: de uso, etimológico e ortográfico (nos populares Aurélio e Houaiss, também).


Pasmem: eles não se entendem quando o assunto é bebê, bebê!


Vamos aos fatos


Existem três tipos de Substantivos:


Os Substantivos Biformes, que apresentam duas formas: uma para o masculino, outra para o feminino, com apenas um radical.

Ex.: menino - menina; pato - pata; prefeito - prefeita

Os Substantivos Heterônimos, que apresentam duas formas: uma para o masculino, outra para o feminino, com radicais diferentes.
Ex.: homem - mulher; bode - cabra

Os Substantivos Uniformes, que apresentam apenas uma forma para ambos os gêneros. Classificam-se em:
  • comuns-de-dois - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros. Como saber o gênero? O artigo revela: o estudante - a estudante; o intérprete - a intérprete.
  • Os sobrecomuns - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros, inclusive o artigo que o acompanha: a criança; o apóstolo; o ídolo.
  • Os epicenos - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros de certos animais, acrescentando as palavras "macho" e "fêmea", para se distinguir o sexo do animal: a girafa; o escorpião; o tatu.

Vamos ao nó: BEBÊ

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Houaiss dizem que a palavra bebê é substantivo "comum-de-dois". Neste caso, pode-se falar: "o bebê; a bebê".

Os dicionários de Uso (Francisco da Silva Borba), Etimológico e Aurélio dizem que a palavra bebê é substantivo "sobrecomum". Neste caso, pode-se falar apenas "o bebê", tanto para MENINO, quanto para MENINA. Tem a mesma classificação de gênero da palavra criança, por exemplo. Como em frases do tipo: 

-Pega tua criança pela mão. (Criança se referindo a um menino, por exemplo.)

-Teu bebê já nasceu? (Bebê se referindo a uma menina, por exemplo.)

Desatando o nó

Como eu disse no início, prezo pela EUFONIA. Acho que soa mal dizer "minha bebê", "tua bebê", "a bebê". Mas se você não concorda, não tem problema: afinal, como disse anteriormente, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Houaiss registram a forma feminina.

Podem continuar a chamar "sua bebê" e assim irritar meus ouvidos, bebê!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Observar o "português" é uma boa maneira de evitar vírus


E-mail que recebi:

Arquivo(s) em Anexo(s) : Comprovante.pdf
Desculpe a demora mas só conseguir fazer a transferência agora.
Segue na mensagem em anexo o comprovante de transferência.
Qualquer dúvida estou a disposição.

Atenciosamente.

Pedro Rabelo


Minha Resposta

Senhor Rabelo:

Quando me mandar um vírus, retire o "s" da palavra anexo, pois quando ela vem depois de preposição, permanece no singular.
Verbos flexionados no pretérito perfeito do indicativo não têm "r" no final, a forma correta deveria ser "só consegui". (Principalmente neste caso, que o Senhor está usando uma locução verbal, portanto apenas o segundo verbo fica no infinitivo).
A expressão "à disposição" (o mesmo que "ao seu dispor") vem sempre com acento grave.
Depois do "Atenciosamente", usa-se vírgula!

Se quiser que eu clique no link da próxima vez, observe os erros.

Obrigado e volte sempre!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Senão x se não


Sempre que estou escrevendo no Facebook, tenho dúvidas... Resolvi tirá-las (ou tentar) e compartilhar com vocês!


Senão X se não


A gramática nos ensina que “senão”, numa só palavra, estabelece relação de adversidade e pode ser substituído por “caso contrário”, “a não ser”, “mas” e “mas sim”. Exemplos:

1. Ande logo, senão (= caso contrário) chegaremos tarde.

2. Não fiz isso para irritá-lo, senão (= mas) para motivá-lo.

3. Não víamos na época outra opção, senão (= a não ser) utilizar o viaduto.


“Senão” pode ser também substantivo, caso em que significa “defeito”, “falha”. Exemplos:

1. Não há um senão naquele bolo.

2. Seus muitos senões atrapalham-no.


A forma em duas palavras, “se não”, estabelece relação de condição e equivale a “caso não” e “quando não”. Exemplos:

1. Se não chover (= caso não chova), irei ao bar.

2. Vamos vacinar 90% das crianças, se não (= quando não) todas.

3. Se não (caso não) fosse ele, esta região seria muito pobre.

4. O que seria a ficção se não (caso não fosse) a realidade com sentimento de culpa?


Espero ter contribuído... E vou parar por aqui, senão essa conversa vai até amanhã de manhã!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mancha Verde - Uso do Particípio

Há um imbróglio no Campeonato Brasileiro da Série A, envolvendo os poderosos Internacional - RS e Palmeiras - SP.
O clube paulista pede a anulação da partida, por causa da decisão do árbitro de anular um gol com a mão do atacante argentino Barcos, do próprio reclamante.
O Palmeiras alega que o juiz consultou o pessoal da TV para ter certeza de que o gol foi mesmo com a mão, ou não. E pelo regulamento oficial da FIFA, não se pode alterar uma decisão de jogo, baseado em qualquer artefato tecnológico...

Por incrível que pareça, isso não é importante...


Importante mesmo, e quase inacreditável, foi a reportagem do jornal Diario de Pernambuco, de quinta-feira (01.11.2012), com o título MANCHA VERDE, uma matéria muito boa, e detalhada, sobre essa polêmica do Campeonato Brasileiro.


No segundo tópico, com o subtítulo "A alegação do Palmeiras", nas últimas linhas, o repórter solta essa: "Há ainda a possibilidade de utilizar o relato de uma repórter que teria confirmado que o gol havia sido marco mesmo com a mão"


Na Gramática da Língua Portuguesa, temos dois tipos de particípio: o regular e o irregular. Nem todos os verbos gozam do prazer de possuir os dois. A maioria dos verbos só tem um.


Vejamos alguns exemplos:


O árbitro tinha aceitado o gol, mas depois o gol não foi aceito.


O povo tinha elegido o candidato. Ele ficou feliz por ter sido eleito.


Percebeu? Com os verbos ter e haver, usa-se o particípio regular (aquele terminado com as desinências -ado e -ido). Já com os verbos ser e estar, usa-se o particípio irregular ( como o nome sugere, não está marcado por uma desinência, mas diferentes desinências).


O verbo marcar, usado absurdamente no texto, não possui particípio irregular, portanto deveria ser escrito em sua forma regular, assim: "...  que o gol havia sido marcado mesmo com a mão."


E se você pensa que só acontece com o coitado do repórter do Diario de Pernambuco, cuidado: muitos mortais caem nesta armadilha... Já ouvi muita gente dizer que "tinha chego" ou que "tinha compro"...


Já sobre o Palmeiras, essa mãozinha indecente do Barcos não vai dar em nada... Vamos lá, Verdão, rumo à série B.