sexta-feira, 26 de junho de 2020

As competências e habilidades de Linguagens e Códigos exigidas no ENEM


Competência de área 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.
H1 – Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 – Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 – Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 – Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.

Competência de área 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais.
H5 – Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 – Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 – Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 – Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.

Competência de área 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade.
H9 – Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 – Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
H11 – Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos.

Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade.
H12 – Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 – Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 – Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.

Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 – Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 – Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 – Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.

Competência de área 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 – Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 – Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 – Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.

Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 – Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e nãoverbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 – Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 – Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
H24 – Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras.

Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.
H25 – Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 – Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência de área 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 – Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 – Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 – Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem.


terça-feira, 14 de abril de 2020

RESENHA E SINOPSE


RESENHA

Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrevendo as circunstâncias que o envolvem.
O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (um jogo de futebol, uma comemoração solene, uma feira de livros) ou textos e obras culturais (um romance, uma peça de teatro, um filme).
A resenha, como qualquer modalidade de discurso descritivo, nunca pode ser completa e exaustiva, já que são infinitas as propriedades e circunstâncias que envolvem o objeto descrito. O resenhador deve proceder seletivamente, filtrando apenas os aspectos pertinentes do objeto, isto é, apenas aquilo que é funcional em vista de urna intenção previamente definida.
Imaginemos duas resenhas distintas sobre um mesmo objeto, o treinamento dos atletas para uma copa do mundo de futebol: uma delas destina-se aos leitores de uma coluna esportiva de um jornal; outra, ao departamento médico que integra a comissão de treinamento. O jornalista, na sua resenha, vai relatar que um certo atleta marcou, durante o treino, um gol olímpico, fez duas coloridas jogadas de calcanhar, encantou a plateia presente e deu vários autógrafos. Esses dados, na resenha destinada ao departamento médico, são simplesmente desprezíveis.
Com efeito, a importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a que ela se presta.
Numa resenha de livros para o grande público leitor de jornal, não tem o menor sentido descrever com pormenores os custos de cada etapa de produção do livro, o percentual de direito autoral que caberá ao escritor e coisas desse tipo.
A resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador; ou crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou.

A resenha descritiva consta de
a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:
— nome do autor (ou dos autores);
— título completo e exato da obra (ou do artigo);
— nome da editora, e se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
— lugar e data da publicação;
— números de volumes e páginas.

Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices etc.).
No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e nome do tradutor (em se tratando de tradução).

b) uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e o ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.);
resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.
(PLATÃO o FIORIN. Para entender o texto, São Paulo: Ática p. 426-427).
RESENHA CRÍTICA

A MARAVILHA DA ESCRITA A QUE TODOS TEMOS ACESSO
(OU DEVERÍAMOS TER)

Você e eu, que vive­mos em português, apren­demos a ler e a escrever por volta dos 6 anos de idade. É só o começo, sem dúvida, porque depois sempre há o que aprender e, à medida que o tempo passa, aumenta a exigên­cia de melhorar a leitura e a escrita. De todo modo, nós escrevemos sem per­guntar os mecanismos que deram origem à pró­pria escrita. Ninguém para para pensar por que é que aqui, no Ocidente, a gente escreve da esquerda para a direita, de cima para baixo. Só quando entramos em contato com gente de ou­tras bandas é que pode brotar a dúvida.
Quando os homens co­meçaram a escrever?  Como era a língua escrita, inicial­mente?  Quais são os sistemas de notação?  Por que a escrita é um instrumento de poder?
Pois apareceu um livro mais que interessante sobre o tema:  "A Escrita — Memória dos Homens", de Georges Jean. Além de responder a essas e a outras questões, tem um tratamento editorial e gráfico magnífico. Um conteúdo distribuído por toda a história da experiência humana na matéria.
Estão no livro descri­ções de como a escrita apareceu quase simultaneamente na Mesopo­tâmia, no Egito e na Chi­na.  E informações sobre os grandes decifradores de escritas antigas e as ilustra­ções, a caligrafia, as técnicas e tudo o mais que gira em torno dessa maravilha a que todos temos acesso (ou devíamos ter).
(Folhateen – 01 de julho de 2002 – Folha de São Paulo)

O texto que você leu "A maravilha da escrita a que todos temos acesso (ou deveríamos ter)” é uma resenha. O autor faz uma retomada sobre a escrita: surgimento, diferentes tipos de escrita, importância da escrita.
Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados na reserthn descritiva; entram também comentários e julgamentos do resenhador sobre as ideias do autor, o valor da obra, etc

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 SINOPSE

Em quase todos os jornais há uma seção, quando não um caderno especial, com cometários e horários dos programas culturais: cinema, teatro, vídeo, shows, programas de TV, etc. Muitas vezes, o jornalista faz apenas um pequeno resumo do filme, do livro ou do espetáculo.
Neste caso, ele está fazendo uma resenha ou sinopse como nos exemplos abaixo.


Sinopse
INFIDELIDADE
(Unfaithful. EUA, 2002). Com Richard Gere, Diane Lane e Oliver Martinez. Direção de Adrian Lyne. Edward e Connie Sumner vivem uma crise em seu casamento. Desiludida com a relação, ela está tendo um caso com Paul Mantel. Quando Edward descobre, fica furioso e mata o amante da esposa. Inesperadamente, o crime faz com que os dois se sintam mais próximos do que nunca. Agora, eles são cúmplices do assassinato. Suspense. Censura 16 anos.
Resenha



ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS
(Infidelidade, novo longa de Adrian Lyne, traz à fona o controvertido tema do crime passional)

DIRETOR BRITÂNICO, ADRIAN LYNE pode ser criticado pelas mais diversas razões, mas nunca por não ter estilo. Respon­sável por fitas como 91/2 Semanas de Amor, Atração Fatal, Proposta Indecente e Lolíta, sua especialidade é juntar sexo e polémica. .E por mais que seus tra­balhos sejam taxados de “apelativos e esteticamente publicitários”, é impossível não ficar preso na poltrona ao assisti-los. Sua produção mais recen­te, Infidelidade (Unfaithful. EUA, 2002), es­tréia hoje nos cinemas e traz à tona um tema controvertido: o crime passional.
O filme enfoca o casal Edward e Connie Sumner, vividos por Richard Gere (seu último título lançado por aqui foi a comédia Dr. T e as Mulheres) e Diane Lane (Jack, Vidas Sem Rumo, A Casa de Vidro). Junto com o filho de 8 anos, eles for­mam a típica família norte-americana. Em suma: os Sunmer são tão normais que chegam a ser entediantes.
Contudo, Connie percebe que está insatisreita com sua rotina banal. Depois de um encontro casual e inesperado com o sedutor Paul Martel (interpretado pelo francês Olivier Martinez, de O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras e Antes de Anoitecer), ela se entrega aos encantos do estranho e não pensa duas vezes antes de trair o marido.
Aos poucos, Edward começa a ficar desconfiado do comportamento diferen­te da mulher e passa a investigá-la. Ele não precisa de muito tempo para confir­mar suas suspeitas, mas fica atormentado com o fato. Furioso, Sumner acaba matan­do Martel.
       Surpreendentemente, Connie não só perdoa o marido como se vê mais apaixo­nada do que nunca por ele. Cúmplice do assassinato cometido por Edvvard, ela agora terá de ajudá-lo a esconder o crime. A relação do casal pode ter mudado para melhor, porém fica no ar uma pergunta: eles conseguirão escapar das consequên­cias de seus atos?
Infidelidade é urna espécie de livre adaptação da produção francesa Le Femme infidèle (1969), de Claude Chabrol.
(Folha de São Paulo,14 de junho de 2002)
Trabalhando a produção escrita

·    Assista ao filme proposto
·    Discuta com colegas alguns aspectos essenciais para sua resenha:
·    A trama do filme é boa? Consegue prender a atenção do espectador?
·    Que cena(s) se destaca(m) no filme?
·    Como é o desempenho dos atores? Há algum que sobressaia?
·    A fotografia do filme é bem feita?
·    Você recomendaria o filme para os seus amigos?
·    Faça a relação do filme com o conteúdo de literatura.
·         Redija uma resenha crítica do filme.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Corpus Christi

Corpus Christi significa Corpo de Cristo. É uma festa religiosa da Igreja Católica que tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

A festa de Corpus Christi acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em alusão à quinta-feira santa, quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

A expressão é escrita em Latim e utiliza dois nomes: Corpus (corpo) e Christus (Cristo). E por que, então, Christi?


A parte da gramática da Língua Portuguesa que estuda as relações entre as palavras é denominada Sintaxe. E como funções sintáticas temos: sujeito, predicativo, objeto, vocativo... Em Latim, essa mesma sintaxe é chamada de "caso".


O Latim tem seis casos (nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo e ablativo) e a palavra é escrita segundo a sua função sintática (ou caso), por isso há diferenças em suas terminações (em português, chamamos "flexões").


Essas flexões em Latim são chamadas de "declinações".  Dependendo da função sintática, declina-se a palavra, mudando assim sua terminação. As declinações são identificadas pelo genitivo singular, que corresponde, respectivamente a "ae", "i", "is", "us", "ei".


Achou complicado? Mas é complicado mesmo...


O fato é:"Corpus" se escreve dessa forma mesmo, pois a palavra está no nominativo (ou sujeito) e "Christus" declina-se para "Christi" porque a palavra está no caso genitivo (ou adjunto adnominal). Daí "Corpus Christi" = "O Corpo de Cristo".


Percebeu? 'Corpo' assume a função nuclear da expressão; enquanto que 'de Cristo' funciona como um caracterizador, ou, gramaticalmente falando, adjunto adnominal restritivo, afinal não é qualquer corpo de que estamos falando, não é verdade? É um Corpo determinado, restrito e, acima de tudo, santo.

Bom feriado a todos!








quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Série: Análise de “Poemas” Contemporâneos

Deu Onda (Versão Explícita)
MC G15



Eu preciso te ter
Meu fechamento é você, mozão

Logo que se inicia a leitura da letra desta música, nota-se que ela é toda elaborada em primeira pessoa, trata-se do “eu” lírico, que se refere à subjetividade, ao íntimo, à descrição dos sentimentos e de suas necessidades, tanto amorosas quanto sociais. Observa-se, assim, um ser muito solitário e carente, além de um narcisista e egoísta, características evidenciadas pelos usos dos pronomes “eu” e “meu”.

Eu não preciso mais beber  
E nem fumar maconha
Que a sua presença me deu onda

Nota-se também a presença de várias características de comportamento social do “eu” lírico. A partir desses três versos supracitados, pode-se estereotipar o ser como um “viciado em drogas lícitas e ilícitas”, tratando sua abstinência com a presença da mulher amada, mas, nesse caso, tratando-a como objeto de satisfação de suas necessidades físicas, mais especificamente, fisiológicas. Ou como substituição dessas necessidades, haja vista o uso do verbo “precisar”.

O seu sorriso me dá onda
Você sentando, mozão, me deu onda

Esses dois versos acima só reforçam o que foi dito anteriormente, mas com uma ressalva: aqui o “eu” lírico esboça elogios à pessoa amada, fazendo referência clara ao seu sorriso. No entanto posteriormente reforça o seu instinto egocêntrico, pois tal referência ao sorriso só é possível porque ele (o sorriso) “dá onda” ao ser, ou seja, provoca no “eu” lírico a mesma sensação que uma bebida ou um cigarro de maconha. Há também elogios ao modo de “sentar” da pessoa amada, uma clara referência ao ato sexual, o que veremos mais detalhadamente na análise dos versos abaixo.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?
Meu pau te ama

Nesses três versos acima, ou quatro, pegando o último da outra estrofe, fica nítido o efeito provocado pelo uso demasiado das drogas na mente do “eu” lírico. Ele não sabe mais, nessas descrições, quem é ele ou quem é seu membro sexual. Pois no verso 2 o ser usa o verbo gostar em primeira pessoa, fazendo referência a ele mesmo. Já no verso 3, ele faz referência ao seu órgão sexual (de forma pejorativa) com a utilização do verbo amar. O que, nesse caso, deveria acontecer o contrário.
O uso do primeiro vocativo (mozão) no início da letra, deixa implícito o gênero da pessoa amada, no que, no primeiro desses três versos acima, o uso do vocativo explicita que se trata de uma mulher. Já no segundo verso, a pergunta remissiva feita no final da frase denota que o “eu” lírico não tem outra opção, já que gosta da garota. Talvez preferisse álcool ou outro entorpecente, mas se conforma com a presença da mulher amada.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?

A repetição dos versos acima denuncia o desespero do “eu” lírico por sexo. Também confirma o que foi dito anteriormente: o “eu” lírico tem que se conformar apenas com a garota, que, nesse caso, com essa repetição, não concorda com o uso de drogas por parte do namorado (ou amante, ou ficante, ou peguete, ou quebra-galho...), uma vez que esse “fazer o quê?” indica que ele não concorda com a opinião dela, mas deixa claro que o sexo com ela é muito bom para ele.

Meu pau te ama, é
Meu pau te ama
Meu pau te ama, é
Meu pau te ama

A repetição exagerada desses últimos versos, além de confirmar o desespero por sexo, como foi dito anteriormente, mostra claramente o perfil tarado do “eu” lírico, que atribui sua sede sexual ao seu aparelho reprodutor masculino, se eximindo da culpa de querer se relacionar com a mulher.

De maneira geral, e usando o vocabulário exótico e vulgar do “eu” lírico, pode-se traçar um perfil psicossocial da pessoa que fala no texto: um homem bêbado, drogado e tarado.

sábado, 10 de dezembro de 2016

#FORÇACHAPE

"Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram nenhum cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim (...)"

Quando fazia pós-graduação pela UPE, presenciei a apresentação de um trabalho de análise sintática de uma equipe de alunas, colegas da sala. Na apresentação, havia a análise da letra da música de Cazuza, escrita acima. A equipe se equivocou na hora de "destrinchar" os termos das orações onde havia vocativo. Eu, inocentemente, corrigi, o que se transformou num dos maiores traumas da minha vida. As meninas saíram da sala envergonhadas e algumas choraram nos corredores por vergonha, haja vista, já eram professoras, algumas delas concursadas.

Mas deixemos essas histórias (e traumas) para lá... Vamos ao Vocativo.

Vocativo vem do latim “vocare”, que significa “chamar” (donde vem o substantivo “vocação” em português). Não faz parte, na oração, do sujeito ou do predicado. É um termo isolado. No caso, vocativo é utilizado portanto para chamar alguém, para se dirigir diretamente a alguém, como nas frases abaixo:

Menina, chama a tua mãe!

Brasil, mostra a tua cara!

Força, Chape!

Muitos confundem o vocativo com o sujeito. Por isso deixam a vírgula para lá. Para acertar sempre, lembre-se de dica superútil. O vocativo pode ser antecedido de ó. O sujeito não:

Parabéns, Ribeiro! (Parabéns, ó Ribeiro! Ó Ribeiro, parabéns!) - Nesses exemplos, o termo Ribeiro classifica-se sintaticamente como vocativo.

Ribeiro é professor de Português. (Ó Ribeiro é professor de Português.) - Sem chances... Nesse exemplo, o termo Ribeiro é sujeito, por isso, anteceder a conjunção de chamamento "ó" deixa a frase sem nexo (e bem feia). Não pode.

O assunto vocativo aparece com força agora, por causa do triste acidente envolvendo a equipe da Chepecoense... Do acidente, todo mundo sabe... O que talvez não saibam é o uso da vírgula, antes do vocativo, como aparece no exemplo acima.

Usar #FORÇACHAPE em hashtag é normal e não apresenta erro, desvio, inadequação da língua de forma alguma, uma vez que não há regras na Língua Portuguesa para o uso das hashtags.


No entanto, ao escrever, de forma normal, sem o # (jogo da velha), o uso da vírgula é obrigatório... Pelo menos para quem quer escrever corretamente!

Força, Chape!


#ForçaChape

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Você sabia...



Que na designação de Imperadores, séculos, reis, papas e partes em que se dividem uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo; a partir daí, empregam-se os cardinais?

Ex.: 
D. Pedro I- (D. Pedro primeiro)

Século X- (Século décimo)


Papa Pio XII- (Papa Pio doze)

Para saber mais (e estudar para prova), clique no link e baixe o slide:

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

E o "y"? É uma vogal?

Dia desses, estava eu tranquilo e calmo, caminhando sobre a rampa de acesso à entrada da escola onde trabalho.  Quando, do nada, uma aluna grita, desesperada:
­– Ribeiro, quantas vogais tem o alfabeto?
Eu não hesitei, e respondi de súbito:
– São cinco!
Ela (miserável) insistiu:
– Mas um professor me disse que são seis! Pois o “y” entra no alfabeto como vogal...
Como um desastre não acontece isoladamente, ele resvala em outros seguimentos, outra aluna gritou:
– Então são sete! Pois o “w” tem som de “u” e deve também ser enquadrado como vogal.
Não titubeei: mantive a resposta e expliquei rapidamente que as letras são representações dos sons.  Na língua portuguesa, temos 12 fonemas vocálicos representados pelas letras “A, E, I, O, U”.  Ou era isso; ou teria eu estudado Fonologia de maneira errada.
A questão, para mim, era simples: como o nosso alfabeto tem origem no latim, essas letras “K, W, Y” não faziam parte, legitimamente, da nossa língua; uma vez que, etimologicamente falando, não existem palavras “portuguesas” com essas letras. Outra situação interessante a observar é que nós já temos “letras” demais. Como assim? Assim: para o fonema /s/, por exemplo, temos a letra “s” e a letra “c”; para o fonema /q/, mais uma vez, por exemplo, temos as letras “c” e “q” (apoiada no “u”). 

Explicando a pergunta...


A dúvida das meninas é interessante, porque elas aprenderam, quando foram alfabetizadas, que “o alfabeto é formado por 23 letras, sendo 5 vogais, que são a, e, i, o, u; e 18 consoantes...” e agora? O.o

Dando a resposta...


Depois de consultar alguns amigos professores de Língua Portuguesa, Linguística e Filologia; além de alguns sites na web referentes à questão; cheguei a uma conclusão: o assunto é polêmico sim! As opiniões não são tão consensuais assim, mas a maioria das respostas converge para a resposta que eu dei as alunas.
O professor Carlos Rocha, do Instituto Universitário de Lisboa, respondeu assim, a uma professora que o questionou sobre o ensino do “y” como vogal ou consoante:
As letras representam sons. Acerca dos sons da língua é que podemos falar de vogais, semivogais e consoantes. O mais que se pode dizer é que cinco das letras do alfabeto representam vogais.
Em relação à letra y, o seu uso tem restrições como o k e o w (ver Base I do Acordo de 1990). Dependendo dos nomes que a incluam, o y pode ser considerado como vogal, semivogal, semiconsoante e consoante. Como esta letra é incluída no alfabeto por causa da grafia de muitas palavras estrangeiras que a ostentam, como professor, chamaria a atenção para os diferentes sons associados à letra:
a) vocálico — hobby;
b) semivocálico — boy;
c) semiconsonântico ou consonântico — yuppie, yen (aportuguesamento iene), yeti (o abominável homem das neves da tradição tibetana).
Acrescente-se que algo de semelhante pode acontecer à letra w, passível de ter valor semivocálico em windsurf, mas lido como consoante em wagneriano.

 Para finalizar...


Esqueçam o “K”, o “W” e o “Y”... Essas letras só servem para marcar ordem alfabética! Nenhum professor que esteja ensinando alfabetização vai ensinar sílabas, por exemplo, com elas.  Então, se alguém perguntar: “quantas letras tem o alfabeto?” responda: 26. “Quantas são consoantes?” responda: 18. “Quantas são vogais?” responda: 5. E se algum idiota ainda insistir: “E o ‘K, W, Y’?” responda: é um contrapeso; uma coisa extra... Só serve para marcar ordem alfabética. E se a pessoa ainda insistir (tem gente que é assim), diga: sei não; pergunte a Ribeiro.

É isso, meus amigos! Como diria Dilma: “um beijo na alma!”.



Para Cibelle Soares do 3º “B” 2015 e todos os alunos da EREM de Tamandaré