terça-feira, 12 de março de 2013

Ordem Inversa: ah, maldita!

Oração: é um enunciado (aquilo que a gente fala) organizado em torno de um verbo (uma frase com verbo, para simplificar).

Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado (apesar de existir oração sem sujeito).

Quando na oração tiver sujeito, o verbo tem sempre que concordar com ele (chama-se concordância verbal).

O sujeito (termo da oração do qual a gente fala alguma coisa) pode vir no começo, no meio ou no fim da oração. Exemplos:

Eles chegaram cedo naquela manhã. (Ordem direta)

Naquela manhã, eles chegaram cedo. (Mesmo com o sujeito no meio, é chamada de ordem direta porque o sujeito vem antes do verbo.)

Chegaram cedo naquela manhã eles. (Ordem inversa)

O nó

Geralmente, as pessoas pecam na concordância quando falam (ou escrevem) na ordem inversa. Isso acontece porque as pessoas perdem o coitado do sujeito plural no caminho... Isso mesmo: "plural"!

Exemplo: Existe muitas coisas entre o céu e a terra. 

(Observe que o verbo deveria estar no plural, pois o sujeito desta oração é o termo "muitas coisas".)

A Gramática é tão boazinha que quando o sujeito composto vem posposto ao verbo, em vez de concordar no plural com a totalidade, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do sujeito mais próximo. Lembrando que isso é uma opção, e não uma obrigação.

Exemplo: Faltou coragem e competência ao time, para vencer a partida. (Não esqueça: Faltaram coragem e competência ao time, para vencer a partida. Também está correta)

O porquê do post (Lembram dos porquês?)

Postagem do ótimo Blog do Torcedor (pode ser visto aqui: http://jc3.uol.com.br/blogs/blogdotorcedor/canais/noticias/2013/03/11/hugo_e_punido_com_quatro_jogos_de_suspensao_no_pernambucano_147525.php).

Quando o assunto é futebol, ninguém ganha do site: eles marcam em cima. Tudo do futebol pernambucano está presente lá.

Mas, de uns dias pra cá, o pessoal comandado por Marcelo Cavalcante tem escorregado um pouco nas malícias da língua. E uma delas é a ordem inversa da oração.

Desatando o nó

Vou diretamente aos trechos em questão: "O jogador se envolveu em uma polêmica no jogo contra o Serra Talhada que, até então, tinha rendido apenas críticas negativas da torcida rubro-negra ao atleta."
Quem é o sujeito deste verbo? Críticas negativas!
No singular ou plural? Plural!
E o verbo? Singular...

Outra: "No entanto o jogador deverá continuar no Recife por mais três jogos seguidos, visto que ele ficou de fora do último duelo contra o Ypiranga e, portanto, resta mais três jogos de suspensão."


Quem é o sujeito deste verbo? Três jogos!
No singular ou plural? Plural!
E o verbo? Singular...


Nos dois casos, era só colocar "tinham" e "restam"... Devem estar dizendo: "Ah, 'm' desgraçado..."
Eu vou mais longe: digo: "Ah, ordem inversa maldita..."

Sabem por quê? Vivemos num tempo da Lei de Murphy... No segundo parágrafo do mesmo post do Blog do Torcedor em questão, ainda vêm com essa: "Passada o mau momento"

Ah, Ordem Inversa maldita!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Saber o porquê de tudo, não significa saber tudo, porque nós não sabemos por que nascemos... Às vezes fico me perguntando: afinal, nascemos por quê?

Emprego de por que, por quê, porque, porquê

 Por que 

- Preposição por + pronome interrogativo. Emprega-se em frases interrogativas diretas ou indiretas. Equivale a
 por qual motivo. 

Por que chegou tarde? 
Explique-me
 por que chegou tarde. 

- Preposição por + pronome relativo. Equivale
 a pelo qual.

Contou-me o motivo
 por que não veio.

 Por quê 

- Preposição por + pronome interrogativo. É o mesmo "por que" anterior, só que é usado em final de frase ou antes de pausa significativa. (Observe que o "por que", assim, sem acento, vem no início ou no meio das frases)

Você chegou tarde
 por quê?
Não sei; não sei
 por quê... talvez por distração...

 Porque 

Conjunção causal, explicativa ou final. Equivale a
 visto que, pois, para que.

Cheguei tarde
 porque meu carro quebrou.

 Porquê 

- Substantivo. Equivale às palavras
 razão ou motivo. 

Não sei o
 porquê de tanta briga.
Ela tem os seus
 porquês. 

Ahhhhhhhh... Mas a internet simplifica tudo... Todo esse amontoado de regras virou o pequeno e simples "PQ"!

P.S.: a pedido de Thays Galdino, ex-aluna do 9º ano!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O BEBÊ? A BEBÊ?

Frequentemente ouvimos frases do tipo "Sexta vou visitar tua bebê"; "-Teu bebê tá lindo" "-Não é um bebê; é uma bebê".

Particularmente, nunca gostei da forma feminina desta palavra. Prezo sempre pela EUFONIA (som agradável). Mas, hoje, vendo uns comentários no Facebook, resolvi mergulhar nos dicionários: de uso, etimológico e ortográfico (nos populares Aurélio e Houaiss, também).


Pasmem: eles não se entendem quando o assunto é bebê, bebê!


Vamos aos fatos


Existem três tipos de Substantivos:


Os Substantivos Biformes, que apresentam duas formas: uma para o masculino, outra para o feminino, com apenas um radical.

Ex.: menino - menina; pato - pata; prefeito - prefeita

Os Substantivos Heterônimos, que apresentam duas formas: uma para o masculino, outra para o feminino, com radicais diferentes.
Ex.: homem - mulher; bode - cabra

Os Substantivos Uniformes, que apresentam apenas uma forma para ambos os gêneros. Classificam-se em:
  • comuns-de-dois - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros. Como saber o gênero? O artigo revela: o estudante - a estudante; o intérprete - a intérprete.
  • Os sobrecomuns - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros, inclusive o artigo que o acompanha: a criança; o apóstolo; o ídolo.
  • Os epicenos - são os que têm uma só forma para ambos os gêneros de certos animais, acrescentando as palavras "macho" e "fêmea", para se distinguir o sexo do animal: a girafa; o escorpião; o tatu.

Vamos ao nó: BEBÊ

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Houaiss dizem que a palavra bebê é substantivo "comum-de-dois". Neste caso, pode-se falar: "o bebê; a bebê".

Os dicionários de Uso (Francisco da Silva Borba), Etimológico e Aurélio dizem que a palavra bebê é substantivo "sobrecomum". Neste caso, pode-se falar apenas "o bebê", tanto para MENINO, quanto para MENINA. Tem a mesma classificação de gênero da palavra criança, por exemplo. Como em frases do tipo: 

-Pega tua criança pela mão. (Criança se referindo a um menino, por exemplo.)

-Teu bebê já nasceu? (Bebê se referindo a uma menina, por exemplo.)

Desatando o nó

Como eu disse no início, prezo pela EUFONIA. Acho que soa mal dizer "minha bebê", "tua bebê", "a bebê". Mas se você não concorda, não tem problema: afinal, como disse anteriormente, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Houaiss registram a forma feminina.

Podem continuar a chamar "sua bebê" e assim irritar meus ouvidos, bebê!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Observar o "português" é uma boa maneira de evitar vírus


E-mail que recebi:

Arquivo(s) em Anexo(s) : Comprovante.pdf
Desculpe a demora mas só conseguir fazer a transferência agora.
Segue na mensagem em anexo o comprovante de transferência.
Qualquer dúvida estou a disposição.

Atenciosamente.

Pedro Rabelo


Minha Resposta

Senhor Rabelo:

Quando me mandar um vírus, retire o "s" da palavra anexo, pois quando ela vem depois de preposição, permanece no singular.
Verbos flexionados no pretérito perfeito do indicativo não têm "r" no final, a forma correta deveria ser "só consegui". (Principalmente neste caso, que o Senhor está usando uma locução verbal, portanto apenas o segundo verbo fica no infinitivo).
A expressão "à disposição" (o mesmo que "ao seu dispor") vem sempre com acento grave.
Depois do "Atenciosamente", usa-se vírgula!

Se quiser que eu clique no link da próxima vez, observe os erros.

Obrigado e volte sempre!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Senão x se não


Sempre que estou escrevendo no Facebook, tenho dúvidas... Resolvi tirá-las (ou tentar) e compartilhar com vocês!


Senão X se não


A gramática nos ensina que “senão”, numa só palavra, estabelece relação de adversidade e pode ser substituído por “caso contrário”, “a não ser”, “mas” e “mas sim”. Exemplos:

1. Ande logo, senão (= caso contrário) chegaremos tarde.

2. Não fiz isso para irritá-lo, senão (= mas) para motivá-lo.

3. Não víamos na época outra opção, senão (= a não ser) utilizar o viaduto.


“Senão” pode ser também substantivo, caso em que significa “defeito”, “falha”. Exemplos:

1. Não há um senão naquele bolo.

2. Seus muitos senões atrapalham-no.


A forma em duas palavras, “se não”, estabelece relação de condição e equivale a “caso não” e “quando não”. Exemplos:

1. Se não chover (= caso não chova), irei ao bar.

2. Vamos vacinar 90% das crianças, se não (= quando não) todas.

3. Se não (caso não) fosse ele, esta região seria muito pobre.

4. O que seria a ficção se não (caso não fosse) a realidade com sentimento de culpa?


Espero ter contribuído... E vou parar por aqui, senão essa conversa vai até amanhã de manhã!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mancha Verde - Uso do Particípio

Há um imbróglio no Campeonato Brasileiro da Série A, envolvendo os poderosos Internacional - RS e Palmeiras - SP.
O clube paulista pede a anulação da partida, por causa da decisão do árbitro de anular um gol com a mão do atacante argentino Barcos, do próprio reclamante.
O Palmeiras alega que o juiz consultou o pessoal da TV para ter certeza de que o gol foi mesmo com a mão, ou não. E pelo regulamento oficial da FIFA, não se pode alterar uma decisão de jogo, baseado em qualquer artefato tecnológico...

Por incrível que pareça, isso não é importante...


Importante mesmo, e quase inacreditável, foi a reportagem do jornal Diario de Pernambuco, de quinta-feira (01.11.2012), com o título MANCHA VERDE, uma matéria muito boa, e detalhada, sobre essa polêmica do Campeonato Brasileiro.


No segundo tópico, com o subtítulo "A alegação do Palmeiras", nas últimas linhas, o repórter solta essa: "Há ainda a possibilidade de utilizar o relato de uma repórter que teria confirmado que o gol havia sido marco mesmo com a mão"


Na Gramática da Língua Portuguesa, temos dois tipos de particípio: o regular e o irregular. Nem todos os verbos gozam do prazer de possuir os dois. A maioria dos verbos só tem um.


Vejamos alguns exemplos:


O árbitro tinha aceitado o gol, mas depois o gol não foi aceito.


O povo tinha elegido o candidato. Ele ficou feliz por ter sido eleito.


Percebeu? Com os verbos ter e haver, usa-se o particípio regular (aquele terminado com as desinências -ado e -ido). Já com os verbos ser e estar, usa-se o particípio irregular ( como o nome sugere, não está marcado por uma desinência, mas diferentes desinências).


O verbo marcar, usado absurdamente no texto, não possui particípio irregular, portanto deveria ser escrito em sua forma regular, assim: "...  que o gol havia sido marcado mesmo com a mão."


E se você pensa que só acontece com o coitado do repórter do Diario de Pernambuco, cuidado: muitos mortais caem nesta armadilha... Já ouvi muita gente dizer que "tinha chego" ou que "tinha compro"...


Já sobre o Palmeiras, essa mãozinha indecente do Barcos não vai dar em nada... Vamos lá, Verdão, rumo à série B. 

sábado, 9 de junho de 2012

Escrito e Inscrito

Essa é do globoesporte.com (ver matéria completa no endereço: http://globoesporte.globo.com/pe/noticia/2012/06/sport-confirma-interesse-em-dois-jogadores-do-corinthians.html).  Faz tempo que eu vejo vários deslizes na página inicial do globoesporte.com/pe. Já avisei um monte de vezes ao pessoal da edição pra galera prestar mais atenção. O objetivo aqui não menosprezar ou denegrir a imagem do site, que é o melhor do Estado, junto com o Blog do Torcedor, quando o assunto é futebol. Mas pedir um pouco de respeito aos leitores. Sabemos que a mídia escrita, principalmente na web, precisa de rapidez, para que seus leitores fiquem informados o mais rápido possível. Mas sabemos também que QUALIDADE é essencial... Pelo menos para mim. Principalmente quando sei que a empresa responsável pelas informações é a mais respeitada do país, e uma das maiores do mundo.

Vamos ao texto em questão

 Na linha 2 do segundo parágrafo, achei essa pérola: "O diretor adjunto de futebol corintiano, Duilio Monteiro Alves, não descarta negociá-los com o Leão, podem só depois da Libertadores." Tudo bem... O digitador trocou o "r" pelo "d"? Não foi só isso... Se fosse isso ele escreveria "podém". Ele trocou o verbo pela conjunção mesmo!

Mas o motivo desta minha publicação não foi o citado acima, mas o que está ESCRITO na penúltima linha: " Com a camisa do Corinthians, o atleta marcou apenas um gol e mesmo escrito na Libertadores ainda não foi utilizado na competição."
É que o verbo mudou o sentido do texto. Ao usar o verbo ESCRITO, no lugar de INSCRITO, o repórter disse que o atleta está na lista do clube paulista para disputar a Libertadores (ou seja, tem seu nome ESCRITO lá). Mas em momento algum ele diz que o atleta está em condições legais de disputá-la (INSCRITO). E sendo assim, poderia ser liberado para o SPORT!

É amigo, eu sei que não é muito bom ser corrigido, mas respeito é bom e eu gosto!