quinta-feira, 20 de junho de 2019

Corpus Christi

Corpus Christi significa Corpo de Cristo. É uma festa religiosa da Igreja Católica que tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

A festa de Corpus Christi acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em alusão à quinta-feira santa, quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

A expressão é escrita em Latim e utiliza dois nomes: Corpus (corpo) e Christus (Cristo). E por que, então, Christi?


A parte da gramática da Língua Portuguesa que estuda as relações entre as palavras é denominada Sintaxe. E como funções sintáticas temos: sujeito, predicativo, objeto, vocativo... Em Latim, essa mesma sintaxe é chamada de "caso".


O Latim tem seis casos (nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo e ablativo) e a palavra é escrita segundo a sua função sintática (ou caso), por isso há diferenças em suas terminações (em português, chamamos "flexões").


Essas flexões em Latim são chamadas de "declinações".  Dependendo da função sintática, declina-se a palavra, mudando assim sua terminação. As declinações são identificadas pelo genitivo singular, que corresponde, respectivamente a "ae", "i", "is", "us", "ei".


Achou complicado? Mas é complicado mesmo...


O fato é:"Corpus" se escreve dessa forma mesmo, pois a palavra está no nominativo (ou sujeito) e "Christus" declina-se para "Christi" porque a palavra está no caso genitivo (ou adjunto adnominal). Daí "Corpus Christi" = "O Corpo de Cristo".


Percebeu? 'Corpo' assume a função nuclear da expressão; enquanto que 'de Cristo' funciona como um caracterizador, ou, gramaticalmente falando, adjunto adnominal restritivo, afinal não é qualquer corpo de que estamos falando, não é verdade? É um Corpo determinado, restrito e, acima de tudo, santo.

Bom feriado a todos!








quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Série: Análise de “Poemas” Contemporâneos

Deu Onda (Versão Explícita)
MC G15



Eu preciso te ter
Meu fechamento é você, mozão

Logo que se inicia a leitura da letra desta música, nota-se que ela é toda elaborada em primeira pessoa, trata-se do “eu” lírico, que se refere à subjetividade, ao íntimo, à descrição dos sentimentos e de suas necessidades, tanto amorosas quanto sociais. Observa-se, assim, um ser muito solitário e carente, além de um narcisista e egoísta, características evidenciadas pelos usos dos pronomes “eu” e “meu”.

Eu não preciso mais beber  
E nem fumar maconha
Que a sua presença me deu onda

Nota-se também a presença de várias características de comportamento social do “eu” lírico. A partir desses três versos supracitados, pode-se estereotipar o ser como um “viciado em drogas lícitas e ilícitas”, tratando sua abstinência com a presença da mulher amada, mas, nesse caso, tratando-a como objeto de satisfação de suas necessidades físicas, mais especificamente, fisiológicas. Ou como substituição dessas necessidades, haja vista o uso do verbo “precisar”.

O seu sorriso me dá onda
Você sentando, mozão, me deu onda

Esses dois versos acima só reforçam o que foi dito anteriormente, mas com uma ressalva: aqui o “eu” lírico esboça elogios à pessoa amada, fazendo referência clara ao seu sorriso. No entanto posteriormente reforça o seu instinto egocêntrico, pois tal referência ao sorriso só é possível porque ele (o sorriso) “dá onda” ao ser, ou seja, provoca no “eu” lírico a mesma sensação que uma bebida ou um cigarro de maconha. Há também elogios ao modo de “sentar” da pessoa amada, uma clara referência ao ato sexual, o que veremos mais detalhadamente na análise dos versos abaixo.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?
Meu pau te ama

Nesses três versos acima, ou quatro, pegando o último da outra estrofe, fica nítido o efeito provocado pelo uso demasiado das drogas na mente do “eu” lírico. Ele não sabe mais, nessas descrições, quem é ele ou quem é seu membro sexual. Pois no verso 2 o ser usa o verbo gostar em primeira pessoa, fazendo referência a ele mesmo. Já no verso 3, ele faz referência ao seu órgão sexual (de forma pejorativa) com a utilização do verbo amar. O que, nesse caso, deveria acontecer o contrário.
O uso do primeiro vocativo (mozão) no início da letra, deixa implícito o gênero da pessoa amada, no que, no primeiro desses três versos acima, o uso do vocativo explicita que se trata de uma mulher. Já no segundo verso, a pergunta remissiva feita no final da frase denota que o “eu” lírico não tem outra opção, já que gosta da garota. Talvez preferisse álcool ou outro entorpecente, mas se conforma com a presença da mulher amada.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?

A repetição dos versos acima denuncia o desespero do “eu” lírico por sexo. Também confirma o que foi dito anteriormente: o “eu” lírico tem que se conformar apenas com a garota, que, nesse caso, com essa repetição, não concorda com o uso de drogas por parte do namorado (ou amante, ou ficante, ou peguete, ou quebra-galho...), uma vez que esse “fazer o quê?” indica que ele não concorda com a opinião dela, mas deixa claro que o sexo com ela é muito bom para ele.

Meu pau te ama, é
Meu pau te ama
Meu pau te ama, é
Meu pau te ama

A repetição exagerada desses últimos versos, além de confirmar o desespero por sexo, como foi dito anteriormente, mostra claramente o perfil tarado do “eu” lírico, que atribui sua sede sexual ao seu aparelho reprodutor masculino, se eximindo da culpa de querer se relacionar com a mulher.

De maneira geral, e usando o vocabulário exótico e vulgar do “eu” lírico, pode-se traçar um perfil psicossocial da pessoa que fala no texto: um homem bêbado, drogado e tarado.

sábado, 10 de dezembro de 2016

#FORÇACHAPE

"Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram nenhum cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim (...)"

Quando fazia pós-graduação pela UPE, presenciei a apresentação de um trabalho de análise sintática de uma equipe de alunas, colegas da sala. Na apresentação, havia a análise da letra da música de Cazuza, escrita acima. A equipe se equivocou na hora de "destrinchar" os termos das orações onde havia vocativo. Eu, inocentemente, corrigi, o que se transformou num dos maiores traumas da minha vida. As meninas saíram da sala envergonhadas e algumas choraram nos corredores por vergonha, haja vista, já eram professoras, algumas delas concursadas.

Mas deixemos essas histórias (e traumas) para lá... Vamos ao Vocativo.

Vocativo vem do latim “vocare”, que significa “chamar” (donde vem o substantivo “vocação” em português). Não faz parte, na oração, do sujeito ou do predicado. É um termo isolado. No caso, vocativo é utilizado portanto para chamar alguém, para se dirigir diretamente a alguém, como nas frases abaixo:

Menina, chama a tua mãe!

Brasil, mostra a tua cara!

Força, Chape!

Muitos confundem o vocativo com o sujeito. Por isso deixam a vírgula para lá. Para acertar sempre, lembre-se de dica superútil. O vocativo pode ser antecedido de ó. O sujeito não:

Parabéns, Ribeiro! (Parabéns, ó Ribeiro! Ó Ribeiro, parabéns!) - Nesses exemplos, o termo Ribeiro classifica-se sintaticamente como vocativo.

Ribeiro é professor de Português. (Ó Ribeiro é professor de Português.) - Sem chances... Nesse exemplo, o termo Ribeiro é sujeito, por isso, anteceder a conjunção de chamamento "ó" deixa a frase sem nexo (e bem feia). Não pode.

O assunto vocativo aparece com força agora, por causa do triste acidente envolvendo a equipe da Chepecoense... Do acidente, todo mundo sabe... O que talvez não saibam é o uso da vírgula, antes do vocativo, como aparece no exemplo acima.

Usar #FORÇACHAPE em hashtag é normal e não apresenta erro, desvio, inadequação da língua de forma alguma, uma vez que não há regras na Língua Portuguesa para o uso das hashtags.


No entanto, ao escrever, de forma normal, sem o # (jogo da velha), o uso da vírgula é obrigatório... Pelo menos para quem quer escrever corretamente!

Força, Chape!


#ForçaChape

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Você sabia...



Que na designação de Imperadores, séculos, reis, papas e partes em que se dividem uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo; a partir daí, empregam-se os cardinais?

Ex.: 
D. Pedro I- (D. Pedro primeiro)

Século X- (Século décimo)


Papa Pio XII- (Papa Pio doze)

Para saber mais (e estudar para prova), clique no link e baixe o slide:

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

E o "y"? É uma vogal?

Dia desses, estava eu tranquilo e calmo, caminhando sobre a rampa de acesso à entrada da escola onde trabalho.  Quando, do nada, uma aluna grita, desesperada:
­– Ribeiro, quantas vogais tem o alfabeto?
Eu não hesitei, e respondi de súbito:
– São cinco!
Ela (miserável) insistiu:
– Mas um professor me disse que são seis! Pois o “y” entra no alfabeto como vogal...
Como um desastre não acontece isoladamente, ele resvala em outros seguimentos, outra aluna gritou:
– Então são sete! Pois o “w” tem som de “u” e deve também ser enquadrado como vogal.
Não titubeei: mantive a resposta e expliquei rapidamente que as letras são representações dos sons.  Na língua portuguesa, temos 12 fonemas vocálicos representados pelas letras “A, E, I, O, U”.  Ou era isso; ou teria eu estudado Fonologia de maneira errada.
A questão, para mim, era simples: como o nosso alfabeto tem origem no latim, essas letras “K, W, Y” não faziam parte, legitimamente, da nossa língua; uma vez que, etimologicamente falando, não existem palavras “portuguesas” com essas letras. Outra situação interessante a observar é que nós já temos “letras” demais. Como assim? Assim: para o fonema /s/, por exemplo, temos a letra “s” e a letra “c”; para o fonema /q/, mais uma vez, por exemplo, temos as letras “c” e “q” (apoiada no “u”). 

Explicando a pergunta...


A dúvida das meninas é interessante, porque elas aprenderam, quando foram alfabetizadas, que “o alfabeto é formado por 23 letras, sendo 5 vogais, que são a, e, i, o, u; e 18 consoantes...” e agora? O.o

Dando a resposta...


Depois de consultar alguns amigos professores de Língua Portuguesa, Linguística e Filologia; além de alguns sites na web referentes à questão; cheguei a uma conclusão: o assunto é polêmico sim! As opiniões não são tão consensuais assim, mas a maioria das respostas converge para a resposta que eu dei as alunas.
O professor Carlos Rocha, do Instituto Universitário de Lisboa, respondeu assim, a uma professora que o questionou sobre o ensino do “y” como vogal ou consoante:
As letras representam sons. Acerca dos sons da língua é que podemos falar de vogais, semivogais e consoantes. O mais que se pode dizer é que cinco das letras do alfabeto representam vogais.
Em relação à letra y, o seu uso tem restrições como o k e o w (ver Base I do Acordo de 1990). Dependendo dos nomes que a incluam, o y pode ser considerado como vogal, semivogal, semiconsoante e consoante. Como esta letra é incluída no alfabeto por causa da grafia de muitas palavras estrangeiras que a ostentam, como professor, chamaria a atenção para os diferentes sons associados à letra:
a) vocálico — hobby;
b) semivocálico — boy;
c) semiconsonântico ou consonântico — yuppie, yen (aportuguesamento iene), yeti (o abominável homem das neves da tradição tibetana).
Acrescente-se que algo de semelhante pode acontecer à letra w, passível de ter valor semivocálico em windsurf, mas lido como consoante em wagneriano.

 Para finalizar...


Esqueçam o “K”, o “W” e o “Y”... Essas letras só servem para marcar ordem alfabética! Nenhum professor que esteja ensinando alfabetização vai ensinar sílabas, por exemplo, com elas.  Então, se alguém perguntar: “quantas letras tem o alfabeto?” responda: 26. “Quantas são consoantes?” responda: 18. “Quantas são vogais?” responda: 5. E se algum idiota ainda insistir: “E o ‘K, W, Y’?” responda: é um contrapeso; uma coisa extra... Só serve para marcar ordem alfabética. E se a pessoa ainda insistir (tem gente que é assim), diga: sei não; pergunte a Ribeiro.

É isso, meus amigos! Como diria Dilma: “um beijo na alma!”.



Para Cibelle Soares do 3º “B” 2015 e todos os alunos da EREM de Tamandaré

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Aviso aos meus alunos

A partir de hoje, os links dos conteúdos apresentados em sala de aula estarão disponíveis apenas no meu blog. (Este aqui.)

Para começar, aqui vão os links da aula sobre Variações Linguísticas:


http://www.4shared.com/office/cpRLvXNsce/Variaes_Lingusticas.html


https://onedrive.live.com/redir?resid=60C14C14B0732B64%21389


https://drive.google.com/file/d/0B_wCtYnwXzAXZVJtVDZ3Z05fSlE/edit?usp=sharing


Lembrando que basta acessar apenas um link para fazer o download do conteúdo!


Obrigado e voltem sempre!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Apoi, viu?

Divagações sobre a famigerada expressão que invadiu as bocas dos jovens (principalmente "das" jovens) de nossa região (principalmente Tamandaré-PE)


Conta-se que há muito tempo, num país de nome ignorável, no interior da África, um macaco, sem ter instruções de ninguém, de repente, pegou uma banana e, antes de comê-la, descascou... Daquele dia em diante, todas as vezes que aquele animal ia comer aquela fruta, retirava as cascas. Os outros mamíferos da mesma espécie, imitando o primeiro, resolveram também sempre comer as bananas retirando as cascas, e depois, todos os macacos da África estavam comendo bananas descascadas.

Na mesma época, no Brasil, especificamente no estado do Pará, um macaco, sem ter contato algum com aqueles outros da África, resolveu retirar as cascas de uma banana antes de comê-la. Daí em diante, todas as vezes retirava as cascas dessa fruta antes de comê-la.  E assim como na África, os outros irmãos de espécie o imitaram, e hoje todos os macacos do Brasil sempre descascam as bananas antes de comerem-nas.

Aliás, hoje, todos os macacos do mundo comem bananas descascadas. Por causa de algum, em seu meio, que resolveu retirar as vestes da fruta em algum momento da história... Mesmo não tendo qualquer contato com os macacos do Brasil ou da África.

Fenômeno idêntico está acontecendo com a expressão "apoi, viu?". Uma espécie de muleta linguística que funciona como exemplo de linguagem fática, pois só serve para testar o canal de comunicação entre os interlocutores.
Os jovens não se viram... Não combinaram usá-la... Mas virou mania entre todos... Conhecidos e desconhecidos... Dos que estavam perto... Dos que estão distantes! A moda agora é o "apoi, viu?"
Não vou dizer que é feia ou bonita, porque se por um lado esse tipo de linguagem é gostoso de se ouvir, pois é bem típico do nosso "pernambuquês", por outro se torna irritante mediante a constância de repetições pelas pessoas que as usam... 
Em todo final de frase, aparece um sonoro "apoi, viu".


O que significa essa expressão?


Ela deriva do "apoi..." (variação de 'pois', que virou 'apois', que virou "apois pronto" ) meio esquecido. Tem um significado aproximado de "duvido", que pode ser substituído por "sei não, viu?" (esse viu no final tem o mesmo sentido de ouviu). Também "E eu num sei..." "Tô sabendo..." "É nada?" ou o antigo "Du-vi-d-o-do". Uma forma de não mostrar muita crença naquilo que se está ouvindo no momento... É isso!

Se você gosta da expressão, continue usando e irritando os meus ouvidos...

Se não gosta, fique calmo... Assim como outros modismos linguísticos, esse passa...

E EU NÃO VEJO A HORA! 




A pedido de Amanda Caroline, 2º "A" - EREM de Tamandaré.