quinta-feira, 25 de maio de 2017

Sintaxe: O Período Simples

Quando eu estudava Especialização, um professor perguntou-me o que eu aprendi com as aulas de Análise Sintática.  Eu disse o que tinha aprendido e ele olhou para outro professor com um olhar de reprovação.
Aquele olhar persegue-me até hoje. No momento, eu não entendi. Mas com um tempo, compreendi o que ele quis dizer.
Para o professor, aulas de Análise Sintática eram inúteis. Não para mim. E até hoje mantenho a mesma opinião, dos idos anos entre 2005 e 2007.
Estudar Análise Sintática para um falante da língua é tão importante quanto estudar multiplicação para um contador.
Penso até que se esta parte da gramática fosse mais bem explorada nas salas de aula, teríamos menos erros de concordância, regência e colocação pronominal.
Para começar esse estudo, deixo um link abaixo com um resumo de período simples.
O arquivo está em power point.


https://drive.google.com/open?id=0B_wCtYnwXzAXM2VqUEJ6bVNTMzA

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Série: Análise de “Poemas” Contemporâneos

Deu Onda (Versão Explícita)
MC G15



Eu preciso te ter
Meu fechamento é você, mozão

Logo que se inicia a leitura da letra desta música, nota-se que ela é toda elaborada em primeira pessoa, trata-se do “eu” lírico, que se refere à subjetividade, ao íntimo, à descrição dos sentimentos e de suas necessidades, tanto amorosas quanto sociais. Observa-se, assim, um ser muito solitário e carente, além de um narcisista e egoísta, características evidenciadas pelos usos dos pronomes “eu” e “meu”.

Eu não preciso mais beber  
E nem fumar maconha
Que a sua presença me deu onda

Nota-se também a presença de várias características de comportamento social do “eu” lírico. A partir desses três versos supracitados, pode-se estereotipar o ser como um “viciado em drogas lícitas e ilícitas”, tratando sua abstinência com a presença da mulher amada, mas, nesse caso, tratando-a como objeto de satisfação de suas necessidades físicas, mais especificamente, fisiológicas. Ou como substituição dessas necessidades, haja vista o uso do verbo “precisar”.

O seu sorriso me dá onda
Você sentando, mozão, me deu onda

Esses dois versos acima só reforçam o que foi dito anteriormente, mas com uma ressalva: aqui o “eu” lírico esboça elogios à pessoa amada, fazendo referência clara ao seu sorriso. No entanto posteriormente reforça o seu instinto egocêntrico, pois tal referência ao sorriso só é possível porque ele (o sorriso) “dá onda” ou ser, ou seja, provoca no “eu” lírico a mesma sensação que uma bebida ou um cigarro de maconha. Há também elogios ao modo de “sentar” da pessoa amada, uma clara referência ao ato sexual, o que veremos mais detalhadamente na análise dos versos abaixo.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?
Meu pau te ama

Nesses três versos acima, ou quatro, pegando o último da outra estrofe, fica nítido o efeito provocado pelo uso demasiado das drogas na mente do “eu” lírico. Ele não sabe mais, nessas descrições, quem é ele ou quem é seu membro sexual. Pois no verso 2 o ser usa o verbo gostar em primeira pessoa, fazendo referência a ele mesmo. Já no verso 3, ele faz referência ao seu órgão sexual (de forma pejorativa) com a utilização do verbo amar. O que, nesse caso, deveria acontecer o contrário.
O uso do primeiro vocativo (mozão) no início da letra, deixa implícito o gênero da pessoa amada, no que, no primeiro desses três versos acima, o uso do vocativo explicita que se trata de uma mulher. Já no segundo verso, a pergunta remissiva feita no final da frase denota que o “eu” lírico não tem outra opção, já que gosta da garota. Talvez preferisse álcool ou outro entorpecente, mas se conforma com a presença da mulher amada.

Que vontade de fuder, garota
Eu gosto de você, fazer o quê?

A repetição dos versos acima denuncia o desespero do “eu” lírico por sexo. Também confirma o que foi dito anteriormente: o “eu” lírico tem que se conformar apenas com a garota, que, nesse caso, com essa repetição, não concorda com o uso de drogas por parte do namorado (ou amante, ou ficante, ou peguete, ou quebra-galho...), uma vez que esse “fazer o quê?” indica que ele não concorda com a opinião dela, mas deixa claro que o sexo com ela é muito bom para ele.

Meu pau te ama, é
Meu pau te ama
Meu pau te ama, é
Meu pau te ama

A repetição exagerada desses últimos versos, além de confirmar o desespero por sexo, como foi dito anteriormente, mostra claramente o perfil tarado do “eu” lírico, que atribui sua sede sexual ao seu aparelho reprodutor masculino, se eximindo da culpa de querer se relacionar com a mulher.

De maneira geral, e usando o vocabulário exótico e vulgar do “eu” lírico, pode-se traçar um perfil psicossocial da pessoa que fala no texto: um homem bêbado, drogado e tarado.

sábado, 10 de dezembro de 2016

#FORÇACHAPE

"Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram nenhum cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim (...)"

Quando fazia pós-graduação pela UPE, presenciei a apresentação de um trabalho de análise sintática de uma equipe de alunas, colegas da sala. Na apresentação, havia a análise da letra da música de Cazuza, escrita acima. A equipe se equivocou na hora de "destrinchar" os termos das orações onde havia vocativo. Eu, inocentemente, corrigi, o que se transformou num dos maiores traumas da minha vida. As meninas saíram da sala envergonhadas e algumas choraram nos corredores por vergonha, haja vista, já eram professoras, algumas delas concursadas.

Mas deixemos essas histórias (e traumas) para lá... Vamos ao Vocativo.

Vocativo vem do latim “vocare”, que significa “chamar” (donde vem o substantivo “vocação” em português). Não faz parte, na oração, do sujeito ou do predicado. É um termo isolado. No caso, vocativo é utilizado portanto para chamar alguém, para se dirigir diretamente a alguém, como nas frases abaixo:

Menina, chama a tua mãe!

Brasil, mostra a tua cara!

Força, Chape!

Muitos confundem o vocativo com o sujeito. Por isso deixam a vírgula para lá. Para acertar sempre, lembre-se de dica superútil. O vocativo pode ser antecedido de ó. O sujeito não:

Parabéns, Ribeiro! (Parabéns, ó Ribeiro! Ó Ribeiro, parabéns!) - Nesses exemplos, o termo Ribeiro classifica-se sintaticamente como vocativo.

Ribeiro é professor de Português. (Ó Ribeiro é professor de Português.) - Sem chances... Nesse exemplo, o termo Ribeiro é sujeito, por isso, anteceder a conjunção de chamamento "ó" deixa a frase sem nexo (e bem feia). Não pode.

O assunto vocativo aparece com força agora, por causa do triste acidente envolvendo a equipe da Chepecoense... Do acidente, todo mundo sabe... O que talvez não saibam é o uso da vírgula, antes do vocativo, como aparece no exemplo acima.

Usar #FORÇACHAPE em hashtag é normal e não apresenta erro, desvio, inadequação da língua de forma alguma, uma vez que não há regras na Língua Portuguesa para o uso das hashtags.


No entanto, ao escrever, de forma normal, sem o # (jogo da velha), o uso da vírgula é obrigatório... Pelo menos para quem quer escrever corretamente!

Força, Chape!


#ForçaChape

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A vida secreta das palavras

O DIARIO DE PERNAMBUCO do dia 29 de outubro deste ano trouxe uma matéria excelente, em seu caderno 4, sobre o ENEM, com um foco maior na Redação. Gostei muito das dicas e as coloquei em Power Point, para um aulão nesta sexta-feia, dia 04 de novembro.

Abaixo, o link dos slides.


https://onedrive.live.com/view.aspx?cid=60c14c14b0732b64&page=view&resid=60C14C14B0732B64!19762&parId=60C14C14B0732B64!119&app=PowerPoint

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

ENEM 2016 - Competências e habilidades – Linguagens e Códigos

Competência de área 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.

H1 – Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.

H2 – Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.

H3 – Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.

H4 – Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.



Competência de área 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais.

H5 – Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.

H6 – Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.

H7 – Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.

H8 – Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.



Competência de área 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade.

H9 – Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.

H10 – Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.

H11 – Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos.



Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade.

H12 – Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.

H13 – Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.

H14 – Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.



Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.

H15 – Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.

H16 – Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.

H17 – Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.



Competência de área 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.

H18 – Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.

H19 – Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.

H20 – Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.



Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.

H21 – Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.

H22 – Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.

H23 – Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.

H24 – Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras.



Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

H25 – Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.

H26 – Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.

H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.

Competência de área 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.

H28 – Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.

H29 – Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.


H30 – Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Cultura Popular Nordestina - VIVARTE



Cultura Popular Nordestina


Objetivos
Geral:
· Conhecer a cultura popular nordestina em todos os moldes de sua manifestação, valorizando sua essência e toda representatividade que ela tem.

Específicos:

· Conhecer a vida e a obra de vários artistas populares da Região Nordeste;

· Analisar o processo de criação dos repentes, cordéis e outras manifestações populares;

· Perceber a carga cultural de representatividade de nossa região nos textos orais e escritos;

· Observar a relação do conteúdo, nos textos lidos e analisados, com situações concretas do convívio social;

· Criar cordéis e/ou repentes, a partir da aprendizagem de como se estruturam esse gênero textual;

· Ler, analisar e ensaiar textos teatrais de Ariano Suassuna e/ou de outros escritores nordestinos, que tenham como representação os costumes do nordeste;

· Declamar a poesia matuta;

· Ensaiar danças, músicas e outras manifestações populares do nordeste para apresentação no evento VIVARTE;

.
Conteúdos Trabalhados:

· Variações linguísticas;

· Leitura e interpretação de textos teatrais orais e escritos;

· Leitura e interpretação de textos poéticos;

· Produção de textos;

· Análise de discursos;

· Oralidade e representação.

Séries
1ª, 2ª e 3ª Série do Ensino Médio.

Tempo estimado
18 aulas.

Material necessário
- Textos escritos;
- Cordéis;
- Data Show;
- Som;
- Notebook;
- Tablet.
-Internet


Desenvolvimento

1ª etapa
Será feita uma sondagem à classe, sobre quem conhece obras como “O Auto da Compadecida”, “Lisbela e O Prisioneiro”, danças, músicas e outras manifestações populares.

2ª etapa
Será mostrada à turma uma aula espetáculo do Professor Ariano Suassuna;

3ª etapa
Haverá debates a partir do que foi visto no vídeo.

4ª etapa
O professor produzirá textos com os alunos (cordéis, repentes, textos teatrais...)

5ª etapa
Os alunos serão divididos em grupo e serão orientados a produzir os textos coletivamente.

6ª etapa
Os alunos declamarão (lerão) os textos produzidos.


7ª etapa
Os alunos serão convidados à quadra da Escola para assistir à apresentação da banda Treminhão, às declamações e outras atividades construídas pelos professores.

8ª etapa
Os alunos farão uma análise do que foi visto na apresentação.

9ª etapa
Os professores farão uma seleção de textos, de músicas, de danças para serem ensaiados pelos alunos para apresentação no evento VIVARTE.


Produto final 

- VIVARTE – Evento do EREM de Tamandaré, voltado para exposição da cultura popular nordestina;

- Danças, peças teatrais, declamações entre outros.

Avaliação 

Será feita uma análise dos textos produzidos e da participação dos alunos no projeto como um todo, tendo como base a relação fiel de tudo o que for apresentado, com a cultura popular nordestina. Observar-se-á a aplicação dos alunos em todas as etapas do projeto, principalmente, a apresentação no dia do evento. Outra análise a ser feita é se os autores conseguem fazer com que o público alcance o pensamento de sua intencionalidade, ou seja, se o objetivo do texto, e consequentemente das apresentações, foi atingido. Ressaltando que essa intencionalidade tenha a ver com situações concretas, baseadas no convívio social da população nordestina.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sobre o ENEM...


E no penúltimo final de semana de outubro, eis que chega o ENEM... Foi uma espera arretada dos estudantes, mas quando finalmente chegou a hora e a vez do Exame Nacional do Ensino Médio eles disseram:
- Poderia ser mais pra frente... Pra que uma prova num tempo desse... E eu nem estudei direito...

E foi um corre-corre; e foi uma agonia... Pense numa prova pra mexer com os nervos dos meninos.
Ah! E das meninas também!
Meu recado hoje não vai especificamente para meus amados e queridos alunos. Vai para meus queridos e amados companheiros de profissão.
A questão 125 da prova cinza do ENEM que abre esse post é bem polêmica. À primeira vista pode até não ser... E para os amigos professores, de certa forma, até dócil e inocente demais. Mas, se ela for comparada às novas tendências do estudo da Língua Portuguesa, é muito complexa.
Quando fiz o primeiro concurso para para professor do Estado de Pernambuco, deparei-me com o seguinte tema de redação: "Se não é para ensinar gramática, o que o professor de língua portuguesa deve ensinar em suas aulas afinal?". De imediato, em minha produção textual, critiquei demasiadamente o tema e tirei nota mínima para ser aprovado. Decerto, quem corrigiu minha redação é da corrente de estudiosos que dizem: "Queimem as gramáticas".
Há uma crítica, já há uns 30 ou 40 anos, sobre o ensino ou não da gramática nas escolas. A maioria, por exemplo, dos livros didáticos ensina gramática, mas não usa essa terminologia. Chamam-na de "Reflexão sobre a língua"; "Estudos linguísticos"... E na verdade o que se vê é pura e simplesmente gramática. Penso até que não é proibido estudá-la, mas falar o termo "GRAMÁTICA".
Muitos professores, também, correm das regras gramaticais por não entendê-las; já que, no curso de Letras, a moda era "fazer recortes" de linguística.
O que quero dizer, com este post, é que o ensino da língua inclui sim regras gramaticais. Não há como se fugir disso. E digo mais: ela é a base do ensino da Língua Portuguesa, pois a maioria desses doutores que refutam o ensino de gramática na sala de aula, só chegaram a ser doutores por aprender bem esta matéria.
Essa questão supracitada do ENEM está claramente relacionada com a habilidade 25 da matriz de referência do exame: " H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.", mas ela se relaciona também com a habilidade 27: "H27 - Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação." já que para o aluno responder à questão, ele terá que recorrer aos seus conhecimentos fonológicos, morfológicos, sintáticos e lexicais, bem como afirma o enunciado.
Algumas (poucas) pessoas que tiverem a paciência de ler este texto podem discordar, pois, como a resposta correta é a letra b, a argumentação será centrada apenas no conhecimento fonológico ou de variação linguística, já que a regra de "tarvez" e "vorta", fonologicamente, é a mesma. Há a troca do fonema /u/ por /R/ ou da letra L pela letra R.
Como curiosos prestam atenção, e eu sou muito curioso, vocês hão de concordar: para que um estudante resolva uma questão, ele não precisa apenas do conhecimento da alternativa correta. Ele precisa, principalmente, do conhecimento das alternativas incorretas, já que é esse conhecimento que fará com que o mesmo julgue a opção como errada.
Se alguém me disser como um aluno aprende Fonologia (descrito no enunciado como "pronúncia"), morfologia, sintaxe e lexicologia sem recorrer à regras, diga-me, pelo amor de Deus... Eu quero aprender a ensinar. Porque, na minha concepção, em língua portuguesa, falou em regra, é gramática, pai!